Sou

O “sou” deve ser um alicerce, não a casa inteira. O “sou” deve ser um estado, não um cativeiro. O “sou” não deve ser uma maldição a que se está sempre acorrentado.

Desprezar a capacidade de mudança é lançar fora os ensinamentos que a vida proporciona. É esmorecer a chance de ser sábio.

Liberte-se do “sou” que te condiciona. Enxergue o mundo em multiperspectivas.

(FERNANDES, Lucas)

Há essa coisa indiferenciável em mim. Há o que sou, o que almejo ser, o que finjo ser, o que imito ser, o que repudio ser e o que eu especulo ser. Mas nunca sei quando estou sendo, almejando, fingindo, imitando, repudiando ou especulando. Tudo se mistura. Do mesmo ponto fixo, diferentes perspectivas, diferentes planos. Como se pudesse olhar para trás, para frente e pros lados ao mesmo tempo.

Quando só se pode olhar para fente, se sabe onde é atrás e onde são os lados, mas e quando se pode olhar em todas as direções? Então, como discernir quando estou sendo, fingindo ser, imitando ser, etc?

Eu sou eu, sou os outros, sou o que me cerca, sou o que me atrai, sou o que me prende, sou o que me liberta. Eu sou eu, sou meus amigos, sou meus inimigos, sou o que me fascina, sou o que eu repudio. E no final de tudo, sou apenas meu mundo!

(FERNANDES, Lucas)

Há um muro. Por que queres derrubá-lo? O muro não machuca. Não ataca. Apenas está lá. Duro, sólido.

Mas se você investe contra o muro, para derrubá-lo, mas está nu, sem ferramentas para isso, aí ele lhe machuca. Por que investes contra ele, se ele é mais forte que você? Não ataque. O muro não tem ímpeto, ele apenas reflete a pancada.

Mas, e se o muro estiver lhe bloqueando a visão? Você sente que pode ter mais por trás dele. Quer mais por trás do muro e não há possibilidades de saltar. Você quer ir além do muro. O que fazer?

Sinto muito, mas não há nada a fazer. Você não pode com ele. É um muro! E você, um nada. Mas não deixe tão barato. Risque-o, marque-o. Com sangue, com carne! De um jeito que nunca se apague o que desenhastes nele. Perpetue sua marca no muro. É o único jeito que se tem de lidar com ele…

À tua noite, à minha carne, ao meu sangue

Desfocado, perdido no embaraço das minhas sílfides lembranças, divago em ti. A noite se entranha em mim e perpetua seu ébano na minha alma rasgada pelos meus pensamentos. Por qual motivo a dor se espalha onde não há ferida? Por que tão lancinante, se tão superficial?

Eu quis derrubar esse muro de concreto sem ferramentas à mão. Eu quis com o próprio corpo atravessar metal maciço. Eu quis à custa da minha carne, estilhaçar vidro blindado.

Lembranças primeiras da profundeza dos teus negros olhos ao me enxergar. Eu vi a noite em você. Fui arrebatado pelo vão do teu sorriso. Intenso era o vácuo no meu estômago, que aumentava sempre que meu devaneio pairava sobre a sua cabeça. Eu quis a noite em você. A noite mágica, a noite misteriosa, a noite incerta, a noite inspiradora, a noite apaixonante.

Prometia eu: “dar-te-ei o céu, dar-te-ei as nuvens, dar-te-ei o sol, mas me mostre teus encantos, ó ser entorpecente. Envenene-me com tuas presas de serpente. Sufoque-me com tua escuridão, me fascine com teus mistérios. Carregue-me pelo horizonte e me conduza ao teu mais intenso hemisfério. Que o mundo será teu, que no fundo, eu serei seu”.

E a noite em ti, me quis. E a noite em ti, se adentrou em mim. Com toda a paixão, com todo o furor, decepando o meu vazio, me tornando frágil e sensível, assim como eu queria, assim como há muito, não o era.

E tua noite me trouxe a magia, me trouxe o mistério, me trouxe o escuro, me trouxe o quebrantamento, me trouxe a inspiração, me trouxe a paixão. Mas não cumpri minha promessa. Não dei o céu, era apenas o azul. Não dei as nuvens, era apenas algodão. Não dei o sol, era apenas o calor. E paguei caro por isso, pois a noite em ti me cobrou. A magia que antes me maravilhava tornou-se negra e me mantém em hipnose. O mistério que me fascinava trouxe o medo do desconhecido. O escuro que me acalmava me deixou em pânico. O quebrantamento que me emocionava, agora me trazia dor. A inspiração que me apascentava trouxe a cólera nas palavras. A paixão que ativava os meus sentidos me aprisionou como psicoativo, causando dependência.

E aí eu quis o sol que não existia em ti. Eu procurei um brilho mais intenso, de onde só vinha penumbra e meia-luz. Procurei a claridade para discernir as formas, mas só havia sombras e vultos. Eu quis o sol. E sofri.

Sofri em vão, talvez não. Mas a dependência me sugava a consciência e cegava a razão. O que eu mais queria em ti era a noite. A noite eu quis, a noite eu consegui. E agora lamentava porque a tinha nas mãos? Por quê? Mas sofrer por algo que tinha e queria, ainda é sofrer. É sofrer por querer, mas ainda é sofrer. Sofri em vão, talvez não.

Por qual motivo a dor se espalha onde não há ferida? Por que tão lancinante, se tão superficial? Como derrubar um intransponível muro imperial? Essa parede de gelo eterno, essa noite glacial?

O que fazer para abalar o inabalável?

Se não há como derrubar esse muro, vou manchá-lo com minha carne e sangue. Até que não sobre mais carne, nem mais sangue. Só então estarás marcada. Só então, estarei liberto.

(FERNANDES, Lucas)

Universo intersecção

Em dois planos diferentes, em universos paralelos, numa outra dimensão

Busco incansavelmente por um ponto de intersecção

Dois mundos distintos, sem ao menos um lugar comum

Parece nos arrastar do nada, conduzindo a lugar nenhum

Você notável, eu desapercebido

Você popular, eu esquecido

Você magnética, eu hesitante

Você definida, eu relutante

Você explosiva, eu plácido

Você defensiva, eu ávido

Você misteriosa, em mim a transparência

Você contemporânea, em mim a obsolescência

Você vaidosa, em mim a simplicidade

Você inabalável, em mim a flexibilidade

No meu mundo, calmaria, comodidade, harmonia

No seu mundo, efervescência, implosão, asfixia

Há um abismo entre nós, uma galáxia de extensão

Bloqueando a minha alma de uma possível elevação

Impedindo a sua de encontrar conformação

Meu espírito inerte em apatia, sua alma implorando anistia

Há um abismo, cabe a nós nos jogarmos.

Em dois planos diferentes, em outra dimensão, talvez haja um ponto de intersecção

As diferenças não nos separam, estão em conjugação

Na verdade a diferença é a própria intersecção

Que equilibra o nosso mundo e misteriosamente me completa

Que me coloca na tua estrada e põe você em linha reta

Que os meus defeitos lhe ensinem, que as minhas qualidades lhe completem

Porque os seus defeitos me equilibram, e as suas qualidades me emergem

Em dois planos diferentes, em outros mundos, nesses versos

Mesmo em outra dimensão, é você o meu universo.

(FERNANDES, Lucas)

Explicação sobre os Novos Vídeo-Posts

Deixei por muito tempo esse blog aqui jogado às traças. Como não tenho intenção nenhuma de divulgá-lo, pelo fato de ser um acervo pessoal com algumas composições e fatos triviais da minha vida (prefiro que apenas pessoas que gosto e confio, o acessem), deixá-lo de mão por um tempo não é lá um grande crime…

Depois de quase 4 meses sem postar nada nessa bragaça, resolvi postar uns vídeos que fiz em Salvador na casa da minha tia no dia 14/11/10 (um dia depois do aniversário do meu brodi, Juninho Menna, e do show de Ls Jack).

Vale lembrar que esses vídeos foram feitos de madrugada, eu estava um pouco doente (em crise alérgica – rinite), e por isso, meu nariz estava bastante entupido, o que fez minha voz ficar um tanto mais grave, desafinada e meio “foem” – não tô arranjando desculpa não, eu juro! kkkkkk.

Mas o fato é que acabou ficando uma miséria. Desafinei mais que tudo, errei letra de música, errei acordes no violão, mas valeu a pena porque fiz com a alma. E estou postando esses vídeos aqui porque, apesar de terem ficado ruins, eu gostei muito porque fiz de coração, estava com vontade de tocar, de desabafar (como na música “cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas”), e assim o fiz!

Não sou cantor, sei arranhar um pouquinho no violão, mas cantar já são outros quinhentos. Canto porque gosto, porque amo a música. E mesmo não cantando muito bem, não tenho vergonha de mostrar. Então aí vai:SESSÃO DESAFINANDO NA MADRUGADA.

OBS: O vídeo “pagode – obra do demônio”, eu fiz com Juninho pra esculhambar mesmo. kkkkk Lucas: Brodi, bora gravar um video esculhambando, tocando um pagodão mutcho lôco? Mennas: Qual a demora? Pega lá “Pé-de-Pano” (o nome de cavaco).